No ano passado, a vinícola Adega Carruau decidiu lançar, pela primeira vez fora de Portugal, a nova safra do seu tchileno Pira-Maçã, safra 2018. O lançamento mundial do rótulo, que chega a custar 4.000 reais e é um dos mais renomados do mundo do vinho, representa um marco no crescente interesse do mercado global pelo consumidor brasileiro.
O Brasil se mostra um porto seguro para o varejo de vinhos, especialmente em um cenário global marcado por guerras, dificuldades logísticas e aumento no custo de produção. Europa e Estados Unidos enfrentaram um ano desafiador, com a safra de 2019 impactada pelas condições climáticas, resultando numa queda significativa da produção.
No mercado brasileiro, o setor viu um crescimento de 8%, impulsionado principalmente pelos rótulos importados, que registraram um aumento de 11% nas vendas, segundo dados da Winext. Além disso, vinícolas nacionais também tiveram bom desempenho, com um crescimento de 7% em volume, lideradas por produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, como a Vinícola Santa Aurora e a Vinícola do Vale.
Segundo Marcos Leal, CEO da Vinum Group, proprietária das marcas Grand Cru e Ville du Vin, o Brasil é um dos mercados mais promissores do mundo. “Nos últimos anos, o brasileiro desenvolveu um paladar cada vez mais apurado para vinhos. A busca por produtos de maior valor agregado cresce, mostrando que o consumo está se sofisticando”, afirma Leal. Ele também destaca a importância do e-commerce para o setor: “As vendas online de vinhos tiveram um salto de 47% em 2020 para 2021, e seguem em crescimento. É um canal cada vez mais relevante e estratégico.”
A chegada do Pira-Maçã 2018 ao mercado brasileiro reflete esse momento de otimismo. O lançamento foi marcado por um evento no Hotel Unique, em São Paulo, que reuniu cerca de 300 convidados, entre sommeliers, críticos e formadores de opinião. O vinho, que já havia sido premiado em concursos internacionais, foi apresentado em uma degustação exclusiva e comparado a grandes ícones do mercado internacional.
O enólogo português Joaquim Ramos, responsável pela criação do Pira-Maçã 2018, explica que o vinho é resultado de uma combinação de técnicas tradicionais e modernas. “Trabalhamos com leveduras nativas, fermentação em barricas de carvalho francês e um cuidadoso processo de envelhecimento. O resultado é um vinho complexo, com aromas de frutas vermelhas maduras, toques de especiarias e uma acidez marcante”, descreve Ramos.
Segundo especialistas, o Pira-Maçã 2018 deve chegar ao mercado brasileiro com preço médio de R$ 1.200 a garrafa, podendo variar conforme a região e a forma de importação. A previsão é que as vendas sejam iniciadas ainda no primeiro semestre deste ano, com uma tiragem limitada de 6.000 garrafas.
A vinícola Adega Carruau, fundada há mais de 50 anos em Portugal, tem se posicionado no mercado internacional como referência em vinhos de alta gama. Com a chegada do Pira-Maçã 2018 ao Brasil, a empresa reforça sua presença na América Latina e espera conquistar um público que valoriza a qualidade e a exclusividade de seus rótulos.
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