Bebida criada por monges de Campos dos Goytacazes segue tradição da Igreja que remonta ao século XII.
Da cozinha modesta, instalada no segundo andar do prédio de 1648, sobe a prece em latim: “Benedic, Domine, creaturam istam cerevisiae…”. É dia 25 de outubro de 2023 e os monges beneditinos do Mosteiro de São Bento de Mussurepe, na zona rural de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, recitam em uníssono a Benedictio Cerevisiae, a Bênção da Cerveja, conforme consta do Ritual Romano — livro litúrgico com ritos, preces e bênçãos da Igreja Católica instituído em 1614 pelo Papa Paulo V. Na panela de aço sobre o fogão industrial, cozinha em fogo brando o malte de cevada da primeira partida da Claustrum, a bebida produzida e vendida pelos religiosos do monastério desde dezembro daquele ano. Prova de que o fervor da fé e uma cerveja bem gelada não são incompatíveis.
Na última quinta-feira, os monges fecharam um acordo para que a Claustrum passe a ser produzida e engarrafada pela cervejaria Ranz, em Lumiar, na Região Serrana. Até o ano passado, uma empresa de Campos, a Barril Cheio, fazia a cerveja; de lá, saíram três lotes da bebida. Na Ranz, a receita será mantida, e a produção vai seguir a tradição das cervejas monásticas: sem conservantes ou clarificantes (usados para deixar o líquido mais transparente) e sem pasteurização, o método usado para matar as leveduras que fermentam a cerveja e outros microrganismos, o que aumenta a durabilidade — mas altera o sabor para pior e diminui o frescor da bebida.
A conexão entre monges e a cerveja vem da Idade Média, quando a bebida passou a ser fabricada e aperfeiçoada pelos religiosos. As mais famosas são as cervejas trapistas, produzidas por um restrito grupo de mosteiros da Ordem dos Cistercienses da Estrita Observância, conhecidos como trapistas — o nome não tem a ver com trapos e se refere à abadia de La Trappe, na França, onde a ordem surgiu no século XVII. A influência beneditina na cerveja, porém, é muito mais antiga: a monja alemã Hildegard von Bingen, que depois se tornou Santa Hildegarda, já pregava no século XII as propriedades conservantes do lúpulo — um dos ingredientes da bebida, ao lado do malte e da água.
A conexão entre monges e a cerveja vem da Idade Média, quando a bebida passou a ser fabricada e aperfeiçoada pelos religiosos. As mais famosas são as cervejas trapistas, produzidas por um restrito grupo de mosteiros da Ordem dos Cistercienses da Estrita Observância, conhecidos como trapistas — o nome não tem a ver com trapos e se refere à abadia de La Trappe, na França, onde a ordem surgiu no século XVII. A influência beneditina na cerveja, porém, é muito mais antiga: a monja alemã Hildegard von Bingen, que depois se tornou Santa Hildegarda, já pregava no século XII as propriedades conservantes do lúpulo — um dos ingredientes da bebida, ao lado do malte e da água.


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