Taça de vinho: quanto de vinho eu devo colocar? E o que mais devo saber para aproveitar melhor a bebida

Taça de vinho: quanto de vinho eu devo colocar? E o que mais devo saber para aproveitar melhor a bebida

Quanto de vinho eu devo colocar na taça? Um bom parâmetro é ocupar até 1/3 dela. No caso dos brancos e rosés, servidos geladinhos, para que o vinho não esquente na taça; no dos tintos, para preservar uma boa área para a expansão dos aromas.

É simples assim!

No entanto, há outras questões sobre a taça que maximizam o potencial da bebida e, consequentemente, a sua experiência com ela.

O tipo de taça faz diferença? Sim. Taças diferentes fazem diferença? Sim. Isto porque o recipiente mais adequado, definitivamente, ajuda a revelar nuances valem a pena serem notadas.

Raio-x da taça 

  • Abertura

O tamanho e a forma da abertura direcionam o vinho para o ponto ideal do paladar, para uma parte específica da língua. Por exemplo, uma abertura mais estreita pode realçar os sabores doces enquanto equilibra a acidez. Para vinhos com mais complexidade e menos acidez ou menos taninos, uma abertura mais ampla é usada para espalhar os sabores em seu paladar. 

  • Bojo

O formato e o tamanho do bojo afetam a forma como os aromas são liberados e acessados pelo nariz. Geralmente se despeja o vinho até cerca de um terço da altura do bojo. Em seguida, gire-se para liberar os aromas. 

  • Haste

A haste é o pedaço de vidro fino que atua como uma ponte entre o bojo e a base. É por ela que você deve segurar uma taça de vinho. Ao manter a mão na haste, você evita a transferência do calor do seu corpo para o bojo minimizando o aquecimento da bebida. 

  • Base

A base da taça de vinho, também conhecida como pé, serve fundamentalmente para manter o equilíbrio da taça. 

Estilos de taças  

Há duas grandes categorias: básicas e avançadas

Básicas

• Tinto (Cabernet) 

Este tipo de taça é frequentemente usado como “universal” para tintos, pois tem um bojo amplo, mas não muito largo. Isso dá ao vinho mais área de superfície, permitindo que ele respire. Assim os taninos são suavizados, aprimorando o sabor e liberando os aromas naturais. A forma da taça direciona o vinho para o centro do paladar, atenuando os efeitos dos taninos, e evitando uma sensação de secura na boca. 

• Pinot Noir  

Para tintos mais delicados, como os feitos com a variedade Pinot Noir, por exemplo, o indicado são taças de bojo mais amplo especialmente perto da base e abertura mais estreita. Com isso, liberam-se os aromas sutis e delicados do vinho, permitindo que uma grande área de superfície seja exposta ao oxigênio, e a forma retém os aromas na taça. A taça direciona o vinho para a frente da boca, o que acentua os sabores doces enquanto equilibra os ácidos. 

• Branco 

As taças para brancos precisam ter formato menor e serem mais estreitas para concentrar os aromas mais sutis desses vinhos. Esse formato estreito combinado com uma abertura também estreita, ajuda a manter o vinho mais resfriado. O líquido é direcionado para o centro da língua para destacar os sabores delicados enquanto reduz as notas ácidas. Ele também serve para rosés. 

• Espumantes 

As taças de espumante mudaram muito ao longo do tempo. Antes convencionava-se usar um formato baixo, de bojo baixo e abertura larga, mas isso há muito foi ultrapassado (apesar de alguns tradicionalistas ainda defenderem seu uso em Champagnes Vintage). Passou-se então para o uso das flute, ou “flautas”, taças alongadas em que a festa das borbulhas fica mais evidente, em prejuízo da apreciação dos aromas. Atualmente o mais indicado são as chamadas “tulipas”, taças com bojo de base estreita que se alarga e termina com uma abertura relativamente estreita, lembrando o formato da flor que lhe dá nome. Isso faz com que as bolhas tenham seu espaço, ajudem a desprender os aromas e a apreciação dos sabores seja mais intensa.

Avançadas

• Bordeaux

  Maximilian Riedel, herdeiro da Riedel, uma vez disse: “Quanto maior o vinho, maior a taça”. Para grandes tintos de Bordeaux, você certamente vai precisar de uma taça também avantajada, alta, de bojo amplo, mas não muito largo, para maximizar a exposição do vinho ao oxigênio. O formato ajuda a reduzir os efeitos dos taninos, concentrando o vinho na parte de trás da língua. 

• Borgonha 

Se você aprecia Pinots da Borgonha, vai precisar de uma taça apropriada para a

variedade. No caso dos Borgonhas, geralmente mantém-se o bojo bem amplo com abertura estreita para concentrar os aromas. Contudo, uma abertura levemente convexa vai permitir que o líquido se espalhe por mais áreas do paladar, ampliando as sensações. 

• Chardonnay

Para apreciadores de Chardonnay, o melhor formato de taça seria um com bojo mais amplo e abertura também mais ampla do que as que se convencionam usar para outros vinhos brancos. A maior área de superfície exposta ao ar permite que os delicados aromas da Chardonnay se abram para revelar seu potencial. A abertura espalha o vinho uniformemente pelo paladar, o que equilibra as complexas camadas de sabor. 

Cristal ou vidro?

O material das taças também é um grande diferencial

Cristal – É um material mais forte do que o vidro, portanto as taças de cristal são mais finas e duráveis. Outro detalhe importante é que por ser mais poroso o material desprende mais aromas ao girar a taça, além de melhorar a aparência do vinho ao refratar melhor a luz. 

Vidro – A tecnologia usada para fabricar vidros faz com que, às vezes, seja difícil diferenciar entre os feitos à máquina e os artesanais, soprados individualmente. Estes últimos costumam ser mais caros (óbvio) e delicados. Os feitos à máquina hoje em dia tendem a ser muito baratos e práticos, mas ainda assim ficam um pouco atrás do cristal em termos de experiência de degustação. 

Posso usar taça de acrílico? Hoje há taças e copos de acrílico com muita qualidade, feitos basicamente para uso em áreas molhadas, como barcos e piscina. Ainda assim, as taças com o material devem ser usadas apenas nesta situação e com vinhos gelados. 

Fonte: Revista Adega

Adicionar um comentário

Seu email não será exibido aos outros.

Open chat