Vinícola brasileira alcança maior pontuação da história em prestigiado concurso internacional

Vinícola brasileira alcança maior pontuação da história em prestigiado concurso internacional

A viticultura mineira alcançou seu mais alto pódio internacional. O Isabela Syrah 2023, da vinícola Maria Maria, localizada em Boa Esperança, no sul de Minas Gerais, foi premiado com uma medalha de ouro e a nota histórica de 96 pontos na edição de 2025 da Decanter World Wine Awards (DWWA), a mais prestigiada e exigente competição do setor no mundo.

O rótulo foi o único brasileiro a obter o ouro este ano e o mais bem pontuado do país em toda a história da competição.

O vinho premiado homenageia a enóloga da casa, Isabela Peregrino, e custa R$ 160 no e-commerce da vinícola.

Feito com uva Syrah produzida na Fazenda Capetinga e vinificado em tanques de aço inox, sem passagem por barricas de carvalho, o rótulo utiliza técnica de cultivo considerada não ortodoxa no mundo do vinho: a dupla poda.

“Nosso objetivo com o Isabela sempre foi permitir que o terroir do sul de Minas se manifestasse da forma mais pura possível. A ausência de madeira revela a intensidade da fruta, com notas de frutas vermelhas e negras, um toque de couro e as especiarias características da Syrah cultivada aqui, como pimenta-do-reino, erva doce e canela”, diz Peregrino.

O vinho foi resultado de várias vinificações em parcelas, com tempos de maceração variando entre 8 e 20 dias, que depois foram controladas. O resultado é um vinho com taninos macios, acidez equilibrada, longo retrogosto, e ideal de beber entre 2025 e 2028. A recomendação é servi-lo a 18°C e, se possível, abrir a garrafa 30 minutos antes de consumir.

A Decanter World Wine Awards, sediada em Londres, é uma das maiores competições de vinho do mundo, avaliando anualmente dezenas de milhares de rótulos de mais de 50 países.

Um júri composto por centenas de especialistas, incluindo Masters of Wine e Master Sommeliers, conduz degustações às cegas para garantir máxima imparcialidade.

As medalhas de ouro são concedidas somente a vinhos com 95 ou 96 pontos.

Para Eduardo Junqueira Nogueira Neto, diretor comercial da Maria Maria e engenheiro-agrônomo, o resultado é um divisor de águas para a vitivinicultura mineira. “Este reconhecimento é o selo da Maria Maria, mas de Minas Gerais. É um holofote que se acende sobre o potencial do nosso terroir e o trabalho de todos os produtores que acreditaram na dupla poda. Esperamos que isso abra portas, atraia o enoturismo para a nossa região e mostre ao mundo que em Minas não se faz só café e queijo de excelência, mas também vinhos de classe mundial”, diz.

Vinícola Maria Maria

A família Junqueira Nogueira, com seis gerações de tradição na cafeicultura em Três Pontas (MG), viu um dos negócios mudar após o patriarca Eduardo Nogueira sofrer um infarto e, por recomendação médica, incluir o vinho em sua rotina.

Nogueira começou a estudar, viajar e, em 2007, descobriu os trabalhos do pesquisador Murilo Regina, da Epamig, que desenvolveram uma técnica inovadora: a dupla poda.

Essa tecnologia, também chamada de ciclo invertido, consiste em podar a videira duas vezes ao ano para forçar a colheita durante o inverno. Diferentemente do Sul do Brasil e outras regiões vinícolas mais tradicionais, que produzem no verão, em Minas essa época do ano não é propícia para a produção de uvas de qualidade. Com o inverno seco, com dias de sol forte e noites frias, prevalecem condições climáticas ideais para a fruta, que concentram açúcares naturais, expressando os aromas e sabores de face livre de doenças fúngicas.

Atualmente, a Maria Maria tem em portfólio o Juliana, um Rosé Syrah 2024; o Júlia, um Sauvignon Blanc 2024; o Gaia, um Syrah 2021; o Gaia, Gran Reserva Syrah 2021; e o lançamento mais recente, Isabela, um Syrah 2023.

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